(Baseado no filme de Almodóvar, sem "spoiler" ou máscaras)
Toda vez que eu vejo o nome dele,
simplesmente entro sem pensar. Almodóvar é simplesmente um dos maiores artistas
de todos os tempos. Disso, todos sabem, a única novidade é o que se pode
extrair de sua nova obra, intitulada “Os amantes passageiros”. Quando me
deparei com o cartaz acima, tive uma impressão que acredito ser compartilhada pela
grande maioria: que se trata de uma comédia. Porém, nem procurei saber o gênero
e simplesmente fui. Para minha grande surpresa, realmente se tratava de uma
obra cômica, porém confesso que jamais chorei tanto após assistir a um filme.
Na obra, Almodóvar retrata de
forma pitoresca o pior de cada ser humano e o público se entrega às gargalhadas
sem pensar no lado trágico. Assim aconteceu comigo: ri centenas de vezes na
sala de cinema e, somente quando dirigia de volta pra casa, comecei a deglutir
cada lição que o filme me trazia. Lembrei-me de cada ser humano pérfido que
passou por minha vida e senti uma verdadeira asfixia ao pensar naqueles que
ainda passarão. Foi aí que percebi que a morte, ao contrário do que pensava
durante toda a minha infância, não é uma fatalidade, mas uma graça concedida
por Deus para nos livrar dos males causados pelas pessoas que nos cercam.
Peço desculpas pelo acesso de
sinceridade e pessimismo, mas lamento informar que tenho idade suficiente para
ser eu mesma, sem mentiras, sem máscaras. É óbvio que também estou cercada de
pessoas maravilhosas, mas isso não me isenta de sentir a dor que cada ser
malévolo me traz à alma. Sinto em demasiado e essa talvez seja a minha
penitência.
Se uma graça me pudesse ser
ofertada, pediria que arrancasse de mim essa candura e essa ânsia por sentir
tudo e amar a todos sem distinção. Ressalto que jamais foi minha pretensão
colocar-me em um altar e isentar-me dos meus erros. Eu só queria amar menos.

Um comentário:
Minha cara amante da sabedoria, se aprofundar em matéria tão árida que é o estudo do homem e sua filosofia não é uma tarefa para qualquer um. Tem que ir desenvolvendo muita resiliência psicológica. A filosofia é triste e libertadora. O arquétipo do conhecimento supremo sempre levou o homem (e mulher) a desafiar a si mesmos e a revalidar seus conceitos e o seu modus operandi. Não é fácil olhar para o seu próprio interior e saber o que lá tem... É uma visão terrível. Dante Alighieri em sua Divina Comédia nos fala misticamente o que o homem deve percorrer para ter o direito do paraíso. Deve-se passar pelos nove círculos dantescos, os nove infernos do interior de cada homem! Porem no mais profundo de nos, no mais fundo dos nossos infernos há a redenção e Dante encontra a porta do paraíso no mais profundos dos infernos!
"Da nossa vida, em meio da jornada,
Achei-me numa selva tenebrosa, tendo perdido a verdadeira estrada..."
Esta é uma poderosa alegoria do conhecimento, devemos enfrentar a nos mesmos e desafiar nossos próprios defeitos ou erros de visão, até termos uma visão limpa da realidade e da felicidade. Quando estivermos puro da visão torta de dentro da Matrix poderemos VER de fato a realidade e ver Zion....
"Somos mais do que apenas matéria; temos sentimento e experiência. Por essa razão, somente conforto material não é suficiente. Necessitamos algo mais profundo" Dalai Lama
Karen, meus pensamentos estão com você....
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