domingo, 11 de setembro de 2011

Meias palavras

O telefone tocou e, diferentemente da última vez, não houve euforia para atendê-lo.
-Oi, meu bem, como você está?
-Bem
-Ah, que ótimo. Estou morrendo de saudades
-É mesmo?

E o resto da ligação? De que importa, caro leitor? Quando o amor acaba, as palavras são vãs. O prenúncio do fim de um sentimento leva em si o silêncio típico dos funerais. Por mais que nos façamos de indiferentes, sabemos que colocar um ponto final em uma história traz dores descomunais. Terminar é assassinar o que se foi. É silenciar o que virá. É dizer o que não é.

Fechar as portas para alguém é abrir mão de uma parte de nós. Renunciar o presente é tocar no futuro e em sua incerteza. Amar é fácil, difícil mesmo é desamar. É parar de remar contra a corrente para re-amar o que ela trará.

2 comentários:

Anônimo disse...

Nem sempre é preciso botar um ponto final em uma historia, talvez possa ser preciso começar outro capítulo... Muitas vezes é preciso voltar e ler o que já foi escrito para não perder o sentido, relembrar todos os momentos.
Espero que ainda tenha aquela fisgada no pensamento "será que é ele?" seguida de um frio na barriga quando o telefone tocar kkk vou ligar aqui para sua irmã, morro de saudade daquela abestada.

Bruce

Fábio Lucas Vieira disse...

belíssimo texto, como sempre!!
ah, se a senhorita soubesse como falou diretamente comigo...