Cristina é uma grande colecionadora. Desde os doze expõe nas prateleiras de seu quarto, objetos nada peculiares: homens. O Criador havia lhe concedido a benção suprema chamada indiferença. Talvez este seja o segredo do sucesso que obtivera com o universo masculino. Acostumados à subserviência das demais, encontrar uma mulher como Cristina era um desafio à sua natureza. Todos que se propuseram à enfrentá-lo não obtiveram êxito. Com seus truques, ela os fazia acreditar em um sentimento inexistente e, quando eles se rendiam, ela recuava. Impiedosa, insensível, irrevogável porém irresistível. Arrebatados por aqueles olhos traiçoeiros, estremeciam e ofereciam seus corpos para fazerem parte daquele acervo. Sabiam que era um caminho sem volta, mas preferiam permanecer estáticos naquele suporte de madeira à viver sem aquela mulher.
Orgulhosa de si, Cristina passava horas observando sua coleção, contando as peças e agradecendo ao universo pela glória alcançada. Porém, certo dia acordou disposta a alterar seu destino. Pensou: De que vale essa quantidade de homens se nenhum deles tem algo a me ensinar? Bonecos de extrema beleza, porém ocos. A aparência, por si, não se estabelece.Resolveu então ir à Grande Loja e propor uma troca ao Criador, que espantado com a proposta perguntou: A senhorita tem certeza disso? Veja bem, trocar quinhentas mercadorias por uma não lhe dará direito à devolução. Por mais que os homens tenham reinvidicado o status de mercadoria para si, proíbem que os denominemos assim. Desta forma, é de minha responsabilidade alertá-la dessa cláusula. Você quer mesmo fazer a troca?
Movendo a cabeça horizontalmente, como forma de exprimir o consentimento, Cristina assinou o contrato e disse: Sem nenhum pesar, troco quinhentos homens de extrema beleza por um inteligente. E saiu de mãos dadas com a nova aquisição.
Após dois meses de convivência, Cristina viu o erro que havia cometido. A relação se tornou insuportável devido à prepotência da mercadoria, que passava a maior parte do tempo exaltando seus conhecimentos e títulos.Tratava Cristina como uma discípula de suas idéias mesquinhas.Por detrás daqueles óculos havia um animal parasitário que se alimentava de restos literários. Tomava para si os questionamentos dos grandes escritores, consciente de que estava fadado ao fracasso e anonimato. Enclausurava-se em seu mundo na ânsia de produzir algo relevante, porém sua obra não tinha consistência alguma. É que na busca desesperada de escrever, ele acabou esquecendo-se de viver. O distanciamento em relação ao mundo fez com que seus escritos formassem colcha de retalhos, cuja totalidade não passava de uma junção do esforço alheio.
Quando Cristina finalmente desmascarou o pseudointelectual, pensou em voltar à loja e propor uma segunda troca de mercadorias, no entanto, resolveu analisar um pouco mais o objeto. Foi quando descobriu que aquele defeito de fábrica era pior do que imaginava e imediatamente decidiu voltar à loja. Lá chegando, agarrada ao pescoço do boneco, olhou profundamente nos olhos do Criador e lançou o boneco na lixeira à sua esquerda. Ateou fogo e regressou à porta, com o objetivo de sair do local sem dizer uma palavra. Porém, o Criador gritou seu nome e perguntou o que estava acontecendo. Sem hesitar, ela respondeu:
Todo aquele que utiliza o conhecimento como forma de enganar os demais merece queimar em sua prepotência. O Senhor me avisou que ele era inteligente, mas esqueceu de mencionar que ele não tinha coração.
Orgulhosa de si, Cristina passava horas observando sua coleção, contando as peças e agradecendo ao universo pela glória alcançada. Porém, certo dia acordou disposta a alterar seu destino. Pensou: De que vale essa quantidade de homens se nenhum deles tem algo a me ensinar? Bonecos de extrema beleza, porém ocos. A aparência, por si, não se estabelece.Resolveu então ir à Grande Loja e propor uma troca ao Criador, que espantado com a proposta perguntou: A senhorita tem certeza disso? Veja bem, trocar quinhentas mercadorias por uma não lhe dará direito à devolução. Por mais que os homens tenham reinvidicado o status de mercadoria para si, proíbem que os denominemos assim. Desta forma, é de minha responsabilidade alertá-la dessa cláusula. Você quer mesmo fazer a troca?
Movendo a cabeça horizontalmente, como forma de exprimir o consentimento, Cristina assinou o contrato e disse: Sem nenhum pesar, troco quinhentos homens de extrema beleza por um inteligente. E saiu de mãos dadas com a nova aquisição.
Após dois meses de convivência, Cristina viu o erro que havia cometido. A relação se tornou insuportável devido à prepotência da mercadoria, que passava a maior parte do tempo exaltando seus conhecimentos e títulos.Tratava Cristina como uma discípula de suas idéias mesquinhas.Por detrás daqueles óculos havia um animal parasitário que se alimentava de restos literários. Tomava para si os questionamentos dos grandes escritores, consciente de que estava fadado ao fracasso e anonimato. Enclausurava-se em seu mundo na ânsia de produzir algo relevante, porém sua obra não tinha consistência alguma. É que na busca desesperada de escrever, ele acabou esquecendo-se de viver. O distanciamento em relação ao mundo fez com que seus escritos formassem colcha de retalhos, cuja totalidade não passava de uma junção do esforço alheio.
Quando Cristina finalmente desmascarou o pseudointelectual, pensou em voltar à loja e propor uma segunda troca de mercadorias, no entanto, resolveu analisar um pouco mais o objeto. Foi quando descobriu que aquele defeito de fábrica era pior do que imaginava e imediatamente decidiu voltar à loja. Lá chegando, agarrada ao pescoço do boneco, olhou profundamente nos olhos do Criador e lançou o boneco na lixeira à sua esquerda. Ateou fogo e regressou à porta, com o objetivo de sair do local sem dizer uma palavra. Porém, o Criador gritou seu nome e perguntou o que estava acontecendo. Sem hesitar, ela respondeu:
Todo aquele que utiliza o conhecimento como forma de enganar os demais merece queimar em sua prepotência. O Senhor me avisou que ele era inteligente, mas esqueceu de mencionar que ele não tinha coração.
6 comentários:
Muito bom seu texto! porém sabemos, sem ser hipócritas, que homens de fraca inteligência são facilmente manipulados por mulheres vazias que apenas almeijam algum status... ser homem é pensar racionalmente... ser mulher também é isso, e quando ambos entram em um consenso tudo fica mais equilibrado, podendo então estabelecer uma relaçao estávele, possivelmente, duradoura. O grande problema é que os homens de verdade sempre demonstram sua fraquesas, e as mulheres mal intencionadas sempre se aproveitam disso para se sentirem superiores perante a eles. Sempre procuram uma forma de humilhação psicologica... o fato é que tanto homens quanto mulheres sensatos, conseguem sim, estabelecer uma relação de confiança e amor, porém, os dois gêneros tem que estar dispostos a tal objetivo... fica aqui minha observação, seus textos sempre são bem apreciados por minha pessoa, um grande beijo, e parabêns pela grande escritora que você é...
Pois bem, antes quero agradecer sua gentileza em elogiar uma principiante, pois é exatamente isso que me considero. Ainda tenho MUITO a aprender, mas fico extremamente grata. Só não entendi uma coisa: como assim "homens de fraca inteligência" sendo "manipulados por mulheres vazias que almejam status"? Ou você não entendeu o texto, ou está desabafando um caso de amor que deu errado. Digo isso porque a minha personagem é de extrema inteligência e, como tal, não precisaria de nenhum homem para alcançar "status". Não é nenhuma manipuladora, apenas joga conforme as regras do jogo. E ele não é de fraca inteligência, pelo contrário, é demasiado sábio. No entanto, como deixei claro no encerramento, inteligência não é tudo. Quando falta coração, se estabelece o conflito. Só pra encerrar: concordei contigo quando disse que se AMBOS estiverem dispostos, o amor pode acontecer. Se não for assim, nem adianta fazer acusações ríspidas, não há como obrigar alguém a te amar. Neste caso, você deve seguir em frente porque não há culpado ou vítima. Enfim, é isso! PS: Não adianta escrever no anonimato. Mesmo alterando algumas letras e acentos, continua sendo você. Eu faço COMUNICAÇÃO, esqueceu? Além disso, estudei alguns fundamentos de Psicologia ;)
Belo texto, vc sempre se supera! Te amo irma linda. Beijos Carol
Belo texto! Vc sempre se supera. Amo tudo o que vc produz. Kisses
Karen...achei você por acaso..e ri muito ( de alegria verdadeira) ao ler seu texto. Sou escritora, tenho um blog e lançarei dia 15 um livro sobre Sites de Relacionamento. Mas, a graça de tudo...é que chamo Cristina e SOU essa mulher do seu texto... Algum onda de pensamento levou até você a ideia do nome ! Muito, muito bacana! Espero te encontrar um dia! Voc6e é de SP? Se for, vá ao lançamento do livro, dia 15 as 19 hs na Casa do Saber, R. Mario Ferraz 414. Vai ser muito interessante encontrar alguem que, sabiamente, escreveu uma ficçao sobre uma Cristina real. meu Perfil no Face é Pergunte para a Cris...O blog tem o mesmo nome e é Wordpress.. Linda ! te espero!
Cris, fiquei surpresa e lisonjeada com seu comentário. Não moro em São Paulo, caso contrário certamente iria ao lançamento do seu livro. Achei interessantíssima sua proposta de pesquisa! Te adicionei no Facebook e também queria conhecê-la pessoalmente. Como vou a São Paulo esporadicamente, isso será possível. Beijos
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