Quando Thiago desentrelaçou seus dedos das minhas costas
senti um aperto intenso, mas familiar. Foi quando ele me disse:
-Por favor, não vá embora.
Só Deus e eu sabemos em quantos pedaços o meu coração se
parte ao ouvir essas palavras. Mas, naquele dia, a dor era ainda mais intensa.
Eu nunca o tinha visto tão triste e jamais tinha sido tão difícil despedir-me
dele. Foram horas de juras de amor antes que eu entrasse naquele carro. Depois
de puxá-lo umas três vezes pra dentro do veículo, lembrei-me do que minha mãe diz
sobre despedidas muito prolongadas. Segundo ela, às vezes é um sinal de que
estamos nos despedindo definitivamente daquela pessoa. Quem me conhece sabe que
não sou afeita a superstições, mas essa realmente me intriga, pois foi assim
que meu tio deixou esse mundo.
Ao acionar o veículo, senti um medo tremendo de morrer no
caminho até a minha casa. Qualquer veículo que se aproximasse do meu, me
apavorava de imediato. Depois de fazer o
trajeto de maior tensão dos últimos tempos, cheguei em casa e finalmente pude
perceber o que tinha acontecido: Thiago
não estava lá. Foi aí que percebi que a gente morre um pouco quando não tem
quem se ama por perto.
(Dedicado ao grande e único amor da minha vida: Thiago Vilhena)

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