segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Meu abrigo




Quando Thiago desentrelaçou seus dedos das minhas costas senti um aperto intenso, mas familiar. Foi quando ele me disse:
-Por favor, não vá embora.
Só Deus e eu sabemos em quantos pedaços o meu coração se parte ao ouvir essas palavras. Mas, naquele dia, a dor era ainda mais intensa. Eu nunca o tinha visto tão triste e jamais tinha sido tão difícil despedir-me dele. Foram horas de juras de amor antes que eu entrasse naquele carro. Depois de puxá-lo umas três vezes pra dentro do veículo, lembrei-me do que minha mãe diz sobre despedidas muito prolongadas. Segundo ela, às vezes é um sinal de que estamos nos despedindo definitivamente daquela pessoa. Quem me conhece sabe que não sou afeita a superstições, mas essa realmente me intriga, pois foi assim que meu tio deixou esse mundo.
Ao acionar o veículo, senti um medo tremendo de morrer no caminho até a minha casa. Qualquer veículo que se aproximasse do meu, me apavorava de imediato.  Depois de fazer o trajeto de maior tensão dos últimos tempos, cheguei em casa e finalmente pude perceber  o que tinha acontecido: Thiago não estava lá. Foi aí que percebi que a gente morre um pouco quando não tem quem se ama por perto.

(Dedicado ao grande e único amor da minha vida: Thiago Vilhena)

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