
A eles: Carrinhos e revistas sensuais.
A nós: Panelinhas de plástico e bonecas baseadas em esterótipos europeus.
Desde a infância revela-se a limitação cultural imposta ao universo feminino.As mulheres são condicionadas a serem responsáveis desde os primeiros passos.
Brinquedos que nos ensinam a ser grandes donas de casa, cuidar dos futuros filhos com maestria.
Enquanto isso, os rapazes se divertem com super máquinas e aprendem a desejar mulheres que não lhes pertencem.
E, por mais que os avanços tecnológicos e os movimentos feministas tenham alterado parte desse quadro, ainda há uma disparidade gritante entre esses dois universos.
Esses traços persistem em infestar o imaginário popular e, quase sempre, estão em grande parte das obras artísticas e literárias.
Voltemos ao Gênesis e repensemos o mito da criação humana: A mulher seria apenas a costela retirada de Adão?
Agradeço o fim da Santa Inquisição, pois alguns padres certamente me lançariam à fogueira se lessem este meu comentário. E mais, diriam que além de profana, sou alienada. E, com o argumento "brilhante" de que a leitura bíblica está cercada de metáforas, os sacerdotes me convidariam à uma nova interpretação desta passagem.
A verdade é que estou farta de tanta reinterpretação, de tentar buscar pontos positivos onde só existem sofismas!
O mundo se revela como o império da masculinidade diante dos nossos olhos.
Eu vejo isso na História, na ficção, no vocabulário, nas ruas...
Observai a nossa gramática: Se há duas mulheres numa classe, diz-se: As alunas. Mas se na mesma classe, acrescentarmos um garoto, generalizamos: Os alunos!!
Apenas um homem no contexto faz com que a generalização leve o gênero masculino! Acho que está mais que na hora de repensarmos nossas regras!Para tudo, uma explicação. E nós vamos perpetuando o preconceito durante gerações.
A mulher continua em seu invólucro,mesmo que o discurso tente provar o contrário.Os salários ainda são menores, as contratações pendem para os homens.Mas eles teimam em alçar a bandeira da igualdade!E assim vamos levando, tampando os olhos para as disparidades.
Se um dia me for concedida a honra de ter uma filha,farei de tudo para que ela seja diferente das demais: Não brincará de casinha, fará da competição do mercado fincanceiro uma partida de futebol americano. Terá como diversão pisar nos corações dos homens, subjugá-los.Será cruel, bravia como o mar. Não escreverá poesias, não falará de amor.Passará a vida falando de ciência, desprezando as questões do coração, pois não há nada mais errôneo que acreditar na inocência de um homem!
Karen Fontenele
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