sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Adeus...

Quantas mães lamentam a morte de seus filhos diariamente? Quantas não veêm o sangue deles estampados nos jornais? O óbito certamente é algo inexorável, mas quando ocorre devido à violência, torna-se ainda mais inaceitável. Que a vida é algo finito, disso todos sabemos, mas quem estará preparado para tratar a morte como um episódio comum?
A verdade é que todo ser humano abomina a idéia de perda, o que se reflete até mesmo na hora do nascimento. Ao sair do ventre materno, a criança lamenta a perda das condições climáticas que lá encontrava. O cordão umbilical é cortado, o bebê teme que aquilo signifique seu último contato com aquela que o gerou. Toda perda é nefasta, deixando a sensação de que parte de nós se esvaiu diante dela.
Lembrai o infortúnio de Maria, mãe do filho de Deus, que pôde observar cada tortura, cada gota de sangue que jorrou da face do Salvador. Ouviu cada murmúrio de dor, cada lágrima agonizante.
A morte é algo inaceitável! É um capítulo que jamais deveria ocorrer. Nascemos, estudamos, trabalhamos, plantamos sementes que provavelmente serão colhidas por nossos sucessores. Deixamos nossos rastros com a certeza de que o tempo tratará de apagá-los.
A verdade é que devemos desfrutar ao máximo da companhia de quem amamos, do canto dos pássaros, do barulho das ondas. A vida é muito curta para adiarmos nossos desejos, economizarmos sentimentos.
Percebo que há dois tipos de pessoas nessa vida: as que despem suas almas e as que ocultam todas suas sensações. As primeiras atiram-se de um precipício sem saber o que encontrarão lá em baixo. Arriscam tudo, não temem a censura ou a indiferença. As últimas agem com cautela, calculam cada passo. Não se entregam por temerem represálias. Geralmente esses opostos se relacionam e o resultado acaba sendo quase sempre o mesmo. Os transparentes se entregam completamente, deparando-se com a frieza dos opostos. O tempo passa e a investida continua e, mesmo com o coração ferido, ambos continuam a agir da mesma forma. O destino trata de separar dois corações que não pulsam na mesma sintonia e, aquele que se entregou demais desiste de esperar por aquilo que nunca vem. E quem amou silenciosamente, pensando que o ódio jamais venceria o amor, percebe que não é mais amado... E sofre, como sofre! Aí tenta reconquistar o que já está perdido, esperando um futuro que jamais se concretizará...
Ser indiferente é muito fácil, difícil mesmo é ser translúcido! Mas no final da jornada percebemos que ambos sofrem, mesmo que em ocasiões diferentes. Importante mesmo é abrir o coração, acreditar no impossível. E como diria o poeta, “embora quem quase morre ainda esteja vivo, quem quase vive já morreu!”...

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