quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Edson não era a pessoa mais fácil do mundo de se lidar, tudo o feria em absoluto. Ele era daquelas pessoas que sentem demais e nunca conseguem ocultar aquilo que passam. Quando o mundo pesava em seus ombros, podíamos enxergar o efeito em seus olhos.


 Ali estávamos nós, após quarenta minutos de intensa discussão. Seus pés balançavam e apontavam em direção à porta, num sinal absoluto de que a vontade que ele tinha era a de correr para a rua e jamais voltar. Se eu não o conhecesse melhor que o próprio Deus que o criou, pensaria que esse era o seu desejo e simplesmente o deixaria partir. Porém, sabendo que apesar das nossas diferenças, somos semelhantes em matéria de amor, entendi que aquela ira era simplesmente o reflexo de um espírito indevassável e o prendi em meus braços. 


O que ele jamais poderia supor é que não era a mim que ele estava preso. Depois de vinte e oito anos de existência é que eu pude compreender que somos escravos de nós mesmos e que a nossa mente é a força coercitiva mais poderosa e cruel já inventada. 

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