
Quando escrevo, na verdade, inicio uma busca pelo intangível. Essa entrega, às vezes sôfrega, é aquilo que pode mascarar a nossa condição “humana, demasiado humana”, tão bem esboçada por Nietzsche. São múltiplos os caminhos para a busca interior, bem como os desníveis advindos dela. Talvez isso justifique o fato de ter eleito como frase favorita "Je me suis perdu en cherchant", de Mesa Selimovic. No português significa "eu me perdi à procura". No contexto do poema essa investida se refere à pessoa amada, porém as minhas buscas são tão vastas que ouso extrair apenas o verso supracitado para expressar a minha filosofia de vida: fazer com que minhas investigações não sejam portos, mas navios à deriva. Por isso, não me ofereçam remos, aprendi a nadar contra a maré. E se os fatos me submergirem, não haverá estranhamento. Ninguém sobrevive a esse naufrágio chamado vida.
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