Como transmitir a você, querido leitor, a biografia daquela que deu início e sentido à minha? As palavras se tornam vãs e flutuam em órbitas neste coração sôfrego por suas limitações. Porém, não posso deixar de versar sobre a rainha dos meus dias, a proprietária máxima deste espírito irrequieto que só sabe amar. Narro então a história da mais bela mulher gerada no Planalto Central, que reflete em seus esplêndidos traços a obra de Niemeyer e em sua postura, a ousadia de Juscelino Kubitscheck. Kátia Marques, mulher guerreira que não sucumbe às cóleras de um mundo demasiadamente cruel. Que faz do impossível a maior das oportunidades, das chamas a luz. Foi esta mulher que deu a vida pela família, abandonando até mesmo a carreira profissional para dar apoio à mim e à minha irmã em tempo integral.
Uma mulher que sonhou com as Pirâmides do Egito e não as buscou simplesmente por amor à família. Mas quando nos viu capazes de seguir sozinhas, retomou os estudos, provando a todos que não há obstáculo insuperável. Mergulhou em livros, desvendou os mistérios da Física sozinha e passou numa faculdade particular que oferecia bolsa de estudo ao melhor aluno de cada curso. E adivinhem... Foi a contemplada durante todos os semestres em que lá cursou. Destaque em todas as disciplinas, minha rainha era a mais dedicada entre todos os alunos. E eu, quando ainda cursava o Ensino Médio, adorava acompanhar suas aulas, já que todas suas explanações eram admiradas pelos professores. Uma mente brilhante que pouco a pouco era decifrada pela Academia.
Porém, quando já estava prestes a se formar, o destino foi cruel e vitimou seu amado pai. Esta guerreira lutou junto a ele contra uma doença cruel, na ânsia de vê-lo são. Foram meses de luta em hospitais, nos quais ela assistia sua esperança definhando gradativamente. Uma melhora súbita, mais provações e ao fim, um desfecho lamentável. Deus, em sua sabedoria infinita, levou-o de nossas vidas, deixando nesta mulher a sensação de fracasso.
E como compreender os desígnios de Deus se, pouco tempo após o falecimento de meu amado avô, fomos noticiados de que esta guerreira sofreu um desvio de duas vértebras? Kátia então passava os dias chorando a fio, ora pela dor na coluna lombar, ora pelo sofrimento de ter perdido seu pai e melhor amigo.
E foi esta magnífica mulher, designada a ficar 24 horas de repouso, que decidiu prestar vestibular para uma Universidade Federal. Enfrentou horas de dor, sentada em uma cadeira de madeira para responder às inúmeras questões formuladas pela Copese. Hoje, dia 15 de dezembro de 2008, o mundo inteiro deve aplaudir de pé esta guerreira, que é obteve a quinta colocação na edição mais concorrida da UFT. E eu, enquanto filha deste grande exemplo de perseverança, me restrinjo a amá-la e idolatrar aquela que sempre será a mulher mais importante deste Universo!
Karen Fontenele
3 comentários:
Karen, eu sou a Flávia, amiga da Carol, realmente ela é uma grande pessoa, que está sempre a nos orgulhar!! Também gostaria de dizer que adoro ler seu blog, e me impressiono muito com a estética de suas palavras, assim como seu encaixe de idéias, é tudo muito perfeito. Es uma grande escritora, e eu espero um dia conseguir assemelhar minha escrita a pelo menos 1/3 do que é a sua. Parabéns, todos da sua família são brilhantes.
Conhecendo o perfil da filha, deduz-se o da mãe. Parabéns pela aprovação da mamãe no vestibular, a familia inteira merece.
Oi Karen!
Nossa, muito bonita a história da sua mãe. Mais bonito ainda é ver uma filha tão dedicada e orgulhosa assim como você.
Desejo muito sucesso pra sua mãe nessa nova jornada.
Bjão
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