
Vocês devem estar estranhando o aspecto tardio da minha abordagem do caso Isabella Nardoni. Há muito tempo pretendo escrever sobre este crime, mas o curso tem exigido bastante de mim, o que só me permitiu escrever neste momento.Mas confesso que estou escrevendo no momento mais propício, já que muitas questões foram esclarecidas e a carga teórica a que fui submetida será de grande importância à análise dos fatos.
De imediato devo fazer uma crítica à abordagem midiática, já que contradiz a proposta secular de atribuir um aspecto profissional ao Jornalismo.Sabemos que essa luta ainda não terminou, pois em muitos países (tais como os Estados Unidos) não é visto como profissão, mas enquanto ocupação (occupation).Isso faz com que você não SEJA, mas ESTEJA jornalista. Desta forma o nível superior não é uma exigência à prática, o que compromete a seriedade do conteúdo produzido pela Indústria Cultural, já que seus membros não estão submetidos a códigos deontológicos.
No que tange às Teorias da Comunicação, podemos destacar os efeitos narcotizantes produzidos pelas reportagens.Confesso que fui vítima em potencial desse efeito, pois assim que soube do caso quis investigá-lo. A sensação de revolta fez com que Isabella me parecesse familiar e despertou em mim a ânsia pela justiça. Li tudo que pude sobre o caso, me "infiltrei" no orkut dos familiares, etc. E não fui a única a fazê-lo, já que os efeitos se estenderam à grande parte da população, o que pode ser observado nos protestos. Algumas pessoas, ainda mais suscetíveis, escreveram cartazes com os dizeres "Eu sempre te amarei, Isabella", sendo que não conheciam a vítima pessoalmente.
A verdade é que a reportagem se tornou novela, fazendo com que os jornalistas se aproveitassem da comoção nacional para vender suas matérias. A proposta de um jornalismo de interesse público ruiu, anos de luta pela legitimação da profissão foi colocada em xeque. E eu me pergunto: Quantas "Isabellas" são mortas diariamente nas perferias do nosso país? Quantas delas são retratadas pela mídia? Quantas crianças são lançadas pelas janelas da sociedade? É, meus amigos, somos demasiadamente burgueses. Selecionamos até mesmo as pessoas pelas quais devemos sofrer!Me responda: Qual é a diferença entre o crime praticado pelo pai e pela madrasta e o ato cruel de fechar o vidro do carro para não ser incomodado pela medicância de uma criança que só pede um prato de comida, ou um cobertor para se proteger do frio?Muitos devem estar chocados, achando que exagerei no exemplo. "Não somos assassinos, o que Alexandre Nardoni fez é incomparável, inconcebível!" Meus queridos leitores, lembrem que a negligência também é crime! Tente fazer como Brás Cubas, deixar a hipocrisia de lado e analisar sua mesquinhez.
Somos todos culpados pelo abismo social de nosso país! Isabella é vítima, mas não é a única. Antes de ser vítima, era apenas uma criança que se deleitava com os prazeres de uma criança da classe média alta. Comia no Mc Donalds, ia ao cinema com roupinhas novas.Enquanto isso, outras costuravam dezenas de tênis importados para comprar farinha e leite. Andavam descalças, deixavam de estudar para alimentar suas famílias e produzir objetos de consumo que agradassem os jovens capitalistas.
Não desconsideremos o caso Isabella, é inegavelmente uma barbárie que necessita de justiça! Mas também é fundamental buscar uma sociedade mais justa àquelas crianças que ficaram...
Encerro por aqui, na investida de levantar-me da cama, desligar o ar condicionado e desligar o lap top.Enquanto isso, milhares de crianças morrendo em todos os cantos do mundo.
De imediato devo fazer uma crítica à abordagem midiática, já que contradiz a proposta secular de atribuir um aspecto profissional ao Jornalismo.Sabemos que essa luta ainda não terminou, pois em muitos países (tais como os Estados Unidos) não é visto como profissão, mas enquanto ocupação (occupation).Isso faz com que você não SEJA, mas ESTEJA jornalista. Desta forma o nível superior não é uma exigência à prática, o que compromete a seriedade do conteúdo produzido pela Indústria Cultural, já que seus membros não estão submetidos a códigos deontológicos.
No que tange às Teorias da Comunicação, podemos destacar os efeitos narcotizantes produzidos pelas reportagens.Confesso que fui vítima em potencial desse efeito, pois assim que soube do caso quis investigá-lo. A sensação de revolta fez com que Isabella me parecesse familiar e despertou em mim a ânsia pela justiça. Li tudo que pude sobre o caso, me "infiltrei" no orkut dos familiares, etc. E não fui a única a fazê-lo, já que os efeitos se estenderam à grande parte da população, o que pode ser observado nos protestos. Algumas pessoas, ainda mais suscetíveis, escreveram cartazes com os dizeres "Eu sempre te amarei, Isabella", sendo que não conheciam a vítima pessoalmente.
A verdade é que a reportagem se tornou novela, fazendo com que os jornalistas se aproveitassem da comoção nacional para vender suas matérias. A proposta de um jornalismo de interesse público ruiu, anos de luta pela legitimação da profissão foi colocada em xeque. E eu me pergunto: Quantas "Isabellas" são mortas diariamente nas perferias do nosso país? Quantas delas são retratadas pela mídia? Quantas crianças são lançadas pelas janelas da sociedade? É, meus amigos, somos demasiadamente burgueses. Selecionamos até mesmo as pessoas pelas quais devemos sofrer!Me responda: Qual é a diferença entre o crime praticado pelo pai e pela madrasta e o ato cruel de fechar o vidro do carro para não ser incomodado pela medicância de uma criança que só pede um prato de comida, ou um cobertor para se proteger do frio?Muitos devem estar chocados, achando que exagerei no exemplo. "Não somos assassinos, o que Alexandre Nardoni fez é incomparável, inconcebível!" Meus queridos leitores, lembrem que a negligência também é crime! Tente fazer como Brás Cubas, deixar a hipocrisia de lado e analisar sua mesquinhez.
Somos todos culpados pelo abismo social de nosso país! Isabella é vítima, mas não é a única. Antes de ser vítima, era apenas uma criança que se deleitava com os prazeres de uma criança da classe média alta. Comia no Mc Donalds, ia ao cinema com roupinhas novas.Enquanto isso, outras costuravam dezenas de tênis importados para comprar farinha e leite. Andavam descalças, deixavam de estudar para alimentar suas famílias e produzir objetos de consumo que agradassem os jovens capitalistas.
Não desconsideremos o caso Isabella, é inegavelmente uma barbárie que necessita de justiça! Mas também é fundamental buscar uma sociedade mais justa àquelas crianças que ficaram...
Encerro por aqui, na investida de levantar-me da cama, desligar o ar condicionado e desligar o lap top.Enquanto isso, milhares de crianças morrendo em todos os cantos do mundo.
Eu tenho que mudar...Nós temos que mudar!!!
Karen Fontenele
2 comentários:
uhuull amiga.. amei o texto..
arrazou ;D
bjos
nossa amiga achei mt inteligente o texto e completamente de acordo com o que eu penso...
parece até q fui eu q escrevi!!!! rsrsrs, n tanto!!!!
mto bom o blog.. tah legível e com conteúdo!!!!
PArabéns!!!
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