quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Pedro JigBIsAW





Estávamos à mesa quando minha irmã irrompe a cozinha:
-Haverá uma palestra com o Pedro Bial na UniEURO. Vamos?
Os olhos de minha mãe brilharam naquele momento:
-Vamos, Karen? Será uma ótima experiência para você, até porque ele também é jornalista.
Eu já havia tentado convence-la do contrário, mas percebi que aquela seria a “grande oportunidade” de mostrar o quanto ela estava equivocada. É óbvio que compreendia a posição dela, até porquê a grade curricular de Pedagogia não abrange as Teorias da Comunicação, assim como o Jornalismo não me transmitiu disciplinas que ela domina, tais como História da Educação e Didática.
Pois bem, lá estávamos sentadas à espera do “grande apresentador”. Se eu colocasse neste blog todas as barbáries ditas naquele palco, os queridos leitores ficariam desgastados. Farei apenas alguns comentários para que compreendam o quão fácil foi mudar a concepção de minha mãe. Aliás, eu nem precisei argumentar, ela enxergou por si mesma.
Com um terno cáqui e calça jeans, ele adentrava o palco. Faltara dizer:
-Salve, salve Big Brother! Bem vindos à nave da demagogia!
Aquele deve ter sido um dos melhores dias de sua vida, já que foi aplaudido de pé pelos alunos do ensino médio. É óbvio que ficou espantado, até por que se estivéssemos numa Universidade e a platéia fosse composta por estudantes de Jornalismo, a recepção não seria tão calorosa!
Para arrancar mais alguns suspiros do público, Bial tira seu terno exibindo uma camisa preta onde estava escrito: EVOLUTION. Naquele momento entendi o verdadeiro sentido da ANTÍTESE. Afinal, o ex-correspondente internacional da Globo passou a apresentar o programa mais fútil da televisão brasileira! E ainda queria nos dizer:
-Evoluir é preciso!
Pobres estudantes! Não perceberam que estavam diante do ícone supremo da REGRESSÃO. Quando perguntaram-no sobre manipulação em sua emissora, ele foi enfático:
-A Globo não manipula informações! Nosso compromisso é com o interesse público e é por isso que eu visto a camisa da empresa!
Não sei qual das duas “camisas” lhe caía pior: a que vestia seu corpo ou a que impregnava seu pobre espírito jornalístico.
Senti-me como uma das vítimas de Jigsaw sentada naquela cadeira torturante. Cada palavra dele era um prego na investida de destruir meu cérebro, subestimar o que aprendi durante esses anos acadêmicos.
Pois bem, se sua entrada foi triunfante, imaginem a saída! Não extraiu sua citação final de Nietzsche, Freud ou Edgar Morin, mas sim de um “pensador” à altura do comandante da nave BBB: Homer Simpson.
E com o aceno final, acabava minha tortura:

GAME OVER!

Um comentário:

Fellipe Thomas disse...

"-Evoluir é preciso", essa frase sintetiza bem o que estamos passando, uma fase em que teóricos criam grande teorias das quais os práticos as tomam e esfacelam como se fosse um papel jogado ao lixo. Não falta idéias, não falta ferramentas e nem elementos pra melhorar a qualidade, talvez falte sim um equilibrio de interesses por falta dos gigantes da comunicação. Não digo aqui que não deva haver interesses, mas isso não pode ser colocado em primeiro lugar. Com um pouco mais de bom senso, podemos ter qualidade no nosso "quadrado eletrônico", confio nisso!